Como estão os refugiados em tempos de pandemia?

A pandemia da COVID-19, trouxe uma realidade ainda mais cruel para aqueles que vivem em situações de desigualdade, como os refugiados. Dentre as situações que já conhecemos existentes na realidade de um refugiado, esse novo prisma apontado pelo coronavírus, agravou ainda mais a situação dessa minoria que vivem uma constante violação de direitos. Com o fechamento das fronteiras, como é o caso da Europa, as pessoas acabaram por serem forçadas a regressarem, se encontrando em uma situação extremamente arriscada, essa justificativa, que na qual, vem sendo utilizada como argumento para não receber refugiados, o que acaba por ser ilegal, e sem contar que isso é um tremendo desrespeito ao Direito Internacional. 

Outra questão muito complexa que surge com essa problemática é os campos de refugiados. Antes mesmo da pandemia, muitos campos de refugiados, já não tinham condições mínimas de alocar o número de pessoas que nele vivem. Faltam casas de banho suficientes para todos, falta água potável, falta energia elétrica, entre outras coisas essenciais para suprir as necessidades básicas de um ser humano. Para um refugiado, inserido nesse atual contexto, como ele pode lavar as mãos e ficar em casa, se muitas vezes nem acesso a água ele tem? No dia 02 de Julho de 2020, foi registrado o primeiro caso de morte pela COVID-19 em um campo de refugiados no Bangladesh, onde quase um milhão de muçulmanos rohingya vive em extrema pobreza.

Um dos maiores desafios agora, é tentar dar aos refugiados também, o acesso a saúde em cada país. Em países como a Grécia, por exemplo, faltam equipes médicas, hospitais, medicamentos. Para tentar amenizar esse problema, a Organização Mundial de Saúde, indicou uma série de medidas que visam proteger estas comunidades marginalizadas e esquecidas, que se encontram o refugiado, incluindo o acesso a serviços de saúde, ultrapassando qualquer barreira de linguagem ou financeira e, também, o fornecimento de suficiente informação para que os refugiados não sintam receio em pedir auxílio. E foi por meio disto, que a União Europeia decidiu em favor de evacuar campos de refugiados, como no caso da Grécia. Eles acreditam que, permitindo que os mais vulneráveis sejam deslocados para países onde a capacidade de atendimento médico será maior, será uma solução viável. Mas na verdade isso só deixa os refugiados em uma situação de maior vulnerabilidade, podendo contrair a doença, ou disseminá-la para outros países.

No Brasil, ONGs têm oferecido apoio aos refugiados, tendo o idioma e a burocratização brasileira como um dos maiores problemas. Muitos das pessoas em situação de refugiados no Brasil, atuavam de maneira informal para ganhar a vida, e agora tiveram que para, o que dificultou ainda mais a situação de muitos refugiados no país. Para dar suporte essa minoria, algumas organizações não governamentais e os próprios refugiados criaram uma espécie de rede de apoio e pedem ajuda financeira à população. Muitos querem pedir o auxílio emergencial de R$ 600 dado pelo governo brasileiro agora na pandemia, mas não conseguem, diante da dificuldade em entender a língua, e outros não têm sequer, acesso à internet para isso.

Tendo em vista que os refugiados são pessoas, e por isso já são nossos semelhantes, devemos enxergá los com igualdade, e tratá-los da mesma maneira em termos de dignidade, dando a eles nesse momento pelo menos o acesso a água, ao saneamento básico e a higiene.

Texto redigido por Louise Beja

Publicado por SDDH/AAC

A SDDH/AAC é uma das dezasseis secções culturais da Associação Académica de Coimbra. Fundada em 1997 encontrou-se, desde logo, na causa da sensibilização e promoção dos direitos humanos junto da comunidade académica, mas não só. Desde o início, o seu objetivo principal foi o da denúncia das diversas violações de Direitos Humanos, através da informação, formação e educação de todas as temáticas relacionadas com estes, tendo como público-alvo o estudante universitário de Coimbra. Neste sentido, a SDDH/AAC realiza projetos “para os estudantes e pelos estudantes” tentando chegar cada vez mais perto dos seus pares, incentivando um espírito crítico, atento e ativo perante as problemáticas que ocupam a atualidade no âmbito dos direitos humanos. Desenvolvem-se projetos com formatos diversificados, procurando corresponder às várias recetividades encontradas no meio académico. Ao mesmo tempo, a SDDH/AAC procura desenvolver parcerias com instituições e entidades da cidade de Coimbra com missão semelhante de forma a contribuir para a sensibilização, educação e formação a nível local e nacional. A Secção tem uma presença ativa nas redes sociais, característica que se advinha essencial na pretensão de chegar aos estudantes e de promover o ativismo junto da juventude. A equipa é constituída por estudantes das mais variadas áreas, desde as ciências sociais às ciências da saúde, passando pelas ciências exatas. O trabalho é desenvolvido em equipa no sentido de promover o desenvolvimento de soft skills e o profissionalismo. Todos os sócios contribuem de forma voluntária nos projetos do seu interesse, permitindo que todos possam propor, coordenar e participar em causas que lhes sejam próximas.

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