O assassinato de George Floyd e o desenrolar das manifestações estadunidenses

George Floyd era um homem negro, de 46 anos de idade, que foi abordado por policiais e preso ao tentar passar uma nota falsa de 20 dólares quando comprava um maço de cigarros. Enquanto era rendido pelos policiais, o oficial Derek Chauvin pressionou o pescoço de George com seu joelho, por estimados oito minutos e 46 segundos, enquanto ele repetia “não consigo respirar”, levando à sua morte.

Derek Chauvin foi afastado do departamento policial e acusado de assassinato. Os outros três policiais que acompanhavam a cena também foram condenados como cúmplices.

Para o ex presidente Barack Obama, os protestos que surgiram com a morte de Floyd representam uma “frustração genuína e legítima com o fracasso de décadas em reformar as práticas policiais e o sistema de justiça criminal mais amplo.”

Os protestos e manifestações que ocorrem atualmente nos Estados Unidos têm raízes bem mais profundas do que os acontecimentos das últimas semanas, as vítimas vão muito além de George Floyd e de Ahmaud Abery – jovem negro morto a tiros enquanto praticava jogging, em Brunswick. Estes foram apenas a última gota d’água.

Na verdade, o caso de George Floyd não é isolado no contexto norte-americano; existem inúmeros exemplos recentes de pessoas afro-americanas sendo mortas por policiais nos EUA. O caso George Floyd, inclusive, foi muito comparado com a morte de Eric Garner em julho de 2014 – preso em Nova York por suspeita de venda ilegal de cigarros. O policial Daniel Pantaleo foi visto, em um vídeo que se tornou viral, estrangulando Garner que foi ouvido repetidamente dizendo “Não consigo respirar” antes perder a consciência. Mais tarde, ele foi declarado morto no hospital.

Um grande júri estadual se recusou a acusar o policial de assassinato.

Em azul, a população e, em vermelho, as mortes por tiros de policiais.

O primeiro gráfico demonstra a etnia branca; o segundo a etnia afro-americana; o terceiro a etnia hispânica.

Para melhor entender como os atuais protestos nos EUA escalonaram, devemos procurar uma mais profunda contextualização, com o intuito de explicar o estopim desses eventos. No infográfico retirado de um artigo produzido pela BBC, podemos observar que a relação entre a percentagem da população e a percentagem de pessoas fatalmente baleadas pela polícia estadunidense, baseada em grupos étnicos, claramente mostra o desequilíbrio sócio-estrutural que é o motivo central do cenário político atual. 

Entre 2013 e 2019, foram 7664 mortes de civis por policiais nos Estados Unidos. Só em 2019, o Mapping Police Violence aponta que mais de 1000 pessoas foram mortas pela polícia nos Estados Unidos no ano de 2019, sendo 23,4% das pessoas assassinadas negras, apesar de representarem apenas 13,4% da população estadunidense. O estudo aponta ainda que as cidades mais violentas não têm necessariamente os maiores números de mortes, o que significa que a violência policial não está ligada com a taxa de criminalidade e 99% dos oficiais envolvidos não foram condenados pelos assassinatos.

A atual situação dos protestos nos EUA se iniciou no dia 25 de maio com o memorial para a morte George Floyd, passando pelas primeiras manifestações na cidade de Minneapolis e divulgação de vídeos nas redes sociais, atingindo milhões de pessoas no mundo todo. Os protestos cresceram e os protestantes espalharam-se para outras cidades norte-americanas e capitais cosmopolitas como Londres e Berlim.

O Presidente Donald Trump se manifestou de maneira controversa em seu twitter pessoal, ameaçando enviar militares para ajudar no controle das manifestações e ainda alertou “quando o saqueamento começar, os tiros começarão”. A própria plataforma retirou do ar o tweet de Trump por “exaltar violência”.

No dia 29 uma equipe de repórteres da CNN foi presa ao vivo em uma das manifestações, foram liberados na delegacia, apenas horas depois quando confirmados como membros da emissora; neste mesmo dia, 4 dias após a morte de Floyd, o ex-policial responsável foi acusado por homicídio. Os protestos continuam desde então, atingindo várias cidades do mundo e levantando apoiadores de grande importância como atletas, artistas e políticos.

Texto Redigido por: João Leal, Kai Coelho, Natalya Nascimento, Nathalia Fert e Tiago Pessotti

Publicado por SDDH/AAC

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