Marie Curie, cientista e mulher

Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência

“À evolução dos desafios do 21º século, precisamos extrair todo nosso potencial. Isso requer o desmantelamento dos estereótipos de género. Neste Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, vamos garantir o fim da desigualdade de género na ciência.”
Secretário Geral da ONU António Guterres (Retirado do site da ONU)

Entre os dias 10 e 11 de fevereiro de 2015, na sede da ONU em Nova Iorque, representantes de diversas entidades se reuniram para discutir e promover o maior envolvimento de mulheres na comunidade científica, onde menos de 30% são do género feminino.

Com certeza muitos de nós já ouvimos falar de pelo menos algumas das mais importantes mulheres que contribuíram para o desenvolvimento das ciências, como por exemplo Katie Bouman, cientista responsável pelo projeto que permitiu a primeira imagem de um buraco negro, Katherine Johnson, matemática e cientista da NASA ou Marie Curie, vencedora de dois prêmios Nobel por suas pesquisas e descobrimento da radioatividade, mas muitas outras tiveram importantes contribuições e são sequer lembradas, como Chien-Shiung Wu, primeira mulher a entrar para a American Physical Society e contribuidora do projeto Manhattan, Mae Jamison, médica e primeira mulher negra a ir para o espaço, Maryam Mirzakhani, nascida no Irã, formada em Harvard e professora em Stanford, única mulher vencedora da Medalha Fields (mais importante prêmio da área das matemáticas), por sua contribuição no entendimento de superfícies hiperbólicas. Entretanto, ainda há muitas pessoas que não conhecem nem a minoria destas mulheres, foi no intuito de tentar promover um maior conhecimento sobre as grandes mulheres na ciência e até mesmo normalizar entre as crianças o envolvimento de mulheres nesta área que Rachel Ignotofsky criou o livro “As Cientistas: 50 Mulheres que Mudaram o Mundo.”

É em homenagem a essas e muitas outras, e incentivar a promoção da igualdade de género no mundo científico, que o dia 11 de fevereiro foi definido como o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência.

Mesmo já ouvindo falar, não sabemos quem exatamente foram e quais desafios precisaram enfrentar para alcançarem o reconhecimento, por isso me interessei em escrever esse texto, que conta um resumo da história de Marie Curie, baseado no documentário Marie Curie, au-delà du mythe (2011), para apresentar e tentar compartilhar um pouco do conhecimento que obtive, pesquisando a vida de algumas dessas mulheres. Espero que ao fim da leitura inspire alguns a buscarem um pouco mais sobre o assunto. 

A 7 de novembro de 1867, nasceu em Varsóvia, capital da atual Polônia, Maria Skłodowska, que anos mais tarde seria reconhecida como a primeira cientista dos tempos modernos, e inspiração para várias gerações futuras.  A menina, que era a mais nova de cinco filhos, recebeu educação de seu pai, professor de matemática e física, e desenvolveu interesse especial por uma nova corrente filosófica que se espalhava pela Europa, o positivismo. Na época a Polônia sofria o domínio russo e as  mulheres eram proibidas de frequentar Universidades, por isso Maria participava de grupos clandestinos de estudo, e decidiu ser professora no interior. Sua ideia era de economizar o suficiente para se juntar a sua irmã mais velha, que estudava em Paris, situação comum entre algumas famílias polonesas. Após 3 anos no interior, retorna a capital e, graças a um primo que fora assistente do cientista russo Mendeleev, aos 18 anos, a jovem tem seu primeiro contato com um laboratório.

Finalmente, em 1891, aos 24 anos Maria parte para Paris, para se reencontrar com sua irmã e se matricular na Universidade de Sorbonne, apesar de já serem mistas, as mulheres representavam apenas 3% dos estudantes universitários, desses, metade eram estrangeiras.

Na França, onde Maria, após inscrição na Universidade havia se tornado Marie, era a primeira da turma na licenciatura de Física e a segunda na licenciatura de Matemática, seus feitos logo foram notados pela Sociedade para Avanço da Indústria Nacional e foi dado-lhe a liderança de um estudo sobre a propriedade magnética de diferentes metais.Um de seus professores pede para que contacte um outro físico da área, Pierre Curie, que pouco tempo depois se tornaria seu marido.

Marie e Pierre se casaram, e dedicaram-se ao estudo da radiação, incentivados pelo professor e físico francês Henri Becquerel, que havia descoberto as radiações emitidas por sais de urânio.  O desenvolvimento dessa pesquisa, levou à descoberta de dois novos elementos químicos em 1902, o Polônio, nomeado em homenagem ao país natal de Marie, e o Rádio e a criação do termo radioatividade. Um ano depois os três receberam o Nobel de Física “em reconhecimento aos extraordinários resultados obtidos por suas investigações conjuntas sobre os fenômenos da radiação, descoberta por Henri Becquerel” (retirado do site do prêmio Nobel), transformando Marie Skłodowska-Curie na primeira mulher a receber tal premiação.

Após o falecimento do marido, assumiu seu lugar como professora, tornado-a também pioneira no corpo de docentes da Universidade de Sorbonne em 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial, sugeriu a utilização de radiografias no tratamento de soldados feridos. Em 1911, recebeu seu segundo prêmio Nobel, agora de Química “em reconhecimento de seus serviços para o avanço da química e a descoberta dos elementos Rádio e Polônio, através do isolamento do Rádio e o estudo da natureza e composição deste memorável elemento”(retirado do site do prêmio Nobel), tornando-a a única mulher e uma de duas pessoas a ganharem dois prêmios em campos diferentes. Fundou o instituto do Rádio na França, e em 1922 tornou-se membro da Academia de Medicina. Em 1934, morreu próximos aos Alpes franceses devido a leucemia, muito provavelmente em detrimento da exposição elevada aos materiais radioativos.

“Na ciência devemos ser mais interessados nas coisas, e não nas pessoas”, Marie Curie sempre utilizava essa frase em resposta a jornalistas que tentavam menosprezá-la ou diminuí-la perante suas conquistas na ciência devido a fatos da vida privada da cientista. O dia 11 de fevereiro é importante para incentivar mulheres e meninas a persistirem e buscarem o caminho da ciência, independente dos obstáculos impostos, seja devido ao ambiente predominantemente masculino, seja por outros fatores sociais remanescentes de uma sociedade patriarcal, onde ciência era destinada somente aos homens.

Como citado por António Guterres, secretário geral da ONU, a inclusão das mulheres e meninas deve ser normalizada, deixando-as confortáveis nesse ambiente, para que tenhamos o aproveitamento máximo do potencial dessa geração.

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Fotografia de Marie e sua filha Irene (1925)
Artigo redigido por Tiago Pessotti

Publicado por SDDH/AAC

A SDDH/AAC é uma das dezasseis secções culturais da Associação Académica de Coimbra. Fundada em 1997 encontrou-se, desde logo, na causa da sensibilização e promoção dos direitos humanos junto da comunidade académica, mas não só. Desde o início, o seu objetivo principal foi o da denúncia das diversas violações de Direitos Humanos, através da informação, formação e educação de todas as temáticas relacionadas com estes, tendo como público-alvo o estudante universitário de Coimbra. Neste sentido, a SDDH/AAC realiza projetos “para os estudantes e pelos estudantes” tentando chegar cada vez mais perto dos seus pares, incentivando um espírito crítico, atento e ativo perante as problemáticas que ocupam a atualidade no âmbito dos direitos humanos. Desenvolvem-se projetos com formatos diversificados, procurando corresponder às várias recetividades encontradas no meio académico. Ao mesmo tempo, a SDDH/AAC procura desenvolver parcerias com instituições e entidades da cidade de Coimbra com missão semelhante de forma a contribuir para a sensibilização, educação e formação a nível local e nacional. A Secção tem uma presença ativa nas redes sociais, característica que se advinha essencial na pretensão de chegar aos estudantes e de promover o ativismo junto da juventude. A equipa é constituída por estudantes das mais variadas áreas, desde as ciências sociais às ciências da saúde, passando pelas ciências exatas. O trabalho é desenvolvido em equipa no sentido de promover o desenvolvimento de soft skills e o profissionalismo. Todos os sócios contribuem de forma voluntária nos projetos do seu interesse, permitindo que todos possam propor, coordenar e participar em causas que lhes sejam próximas.

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