REVIEW: II Festival SDDH de Direitos Humanos: Olhar(es) Sobre Cultura(s)

O II Festival SDDH de Direitos Humanos ocorreu nos dias 8, 9 e 10 Novembro. Teve início  ao final da tarde de sexta-feira e encerrou no domingo pelo entardecer. Consagrou-se como um fim de semana bastante intenso, em partes até mesmo podendo ser classificado como exaustivo, mas que valeu o esforço, a presença e a luta contra o frio.
A abertura do evento foi realizada pela Presidente da SDDH e pelo o Exm. Sr. Francisco Paz representante da Câmara Municipal de Coimbra, onde se discursou sobre a importância da cultura em Coimbra, como cidade multicultural que é. Foi ainda abordado a importância da cultura para o indivíduo, para a formação de caráter pessoal, refletiu-se ainda que cultura Coimbrã e a vivência estudantil vai muito mais além da Academia.

Neste dia esteve também presente o Sr. Tiago Cerveira, realizador da série documentada “Wildlings”, a compartilhar a importância da cultura em comunidades menores, exaltando a vida de diversas pessoas que deixaram os grandes centros urbanos para viverem em contato com a natureza. Realçando ainda sua experiência, Tiago afirmou que para zelarmos pela natureza é preciso primeiro conhecê-la, pois “só podemos gostar daquilo que conhecemos” e exemplificou que: “Temos sido turistas na natureza, chegamos lá, fazemos umas fotos e vamos embora, nós esquecemos que também somos parte dela” e por isto já não a cuidamos. O dia encerrou com uma atividade surpresa, onde foi abordada a história da música, e como esta pode ser uma expressão de culturas, épocas, classes sociais, entre muitos outros exemplos, assim como pôde e foi usada diversas vezes na história para denúncias de violação de Direitos Humanos e abusos de poder. 
No sábado tivemos um painel de conversa sobre o Multiculturalismo e a Pluridimensão dos Direitos Humanos composto pelo Prof. Dr. João Mª André e pelo Prof. Dr. João Paulo A. Nunes – ambos docentes na Faculdade de Letras da UC.
Fizeram questão de explicar as diferenças entre a multiculturalidade e pluralidade dos Direitos Humanos e o movimento do Multiculturalismo; assim como a história por trás da criação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, passando também pelas diferentes gerações dos Direitos Humanos.

O dia seguiu com as jornalistas Bibiana Garcez e Juliana Alcântara que desmitificaram as influências da cultura ao longo da história, em uma perspectiva de género através de diversas reportagens. Foi ainda abordada a relação da cultura com as pessoas com deficiência(s), onde pudemos contar com a presença APCC e dos/as jovens por ela acolhidos que, realizaram um lindo e emocionante desfile sustentável para aqueles que o assistiram.   Encerrando o dia com uma roda de conversa debatendo as relações entre a cultura e as prisões.

No domingo, apesar do cansaço e da meteorologia pouco propícia, iniciamos pelas 10h30 uma troca de experiências, onde pudemos ouvir a estudante Mariana Antunes que compartilhou sua transformadora experiência de voluntariado em uma casa de acolhimento de crianças no Nepal. Citando que apesar das gigantes diferenças culturais encontradas, sentiu-se acolhida e grata por toda a oportunidade, podendo trocar ideias sobre religião, costumes, culturas, hábitos e muito mais. Mariana diz ainda que “depois que [ela voltou] estava muito mais grata por tudo que tinha recebido na vida”, dando mais valor a cada privilégio.

Nesta conversa tivemos também a oportunidade de ouvir o Prof. Calil Makhoul que partilhou brevemente sua trajetória de vida, saindo do Brasil aos 16 anos para retornar ao Líbano, terra de seus pais, experienciando então um grande choque de culturas. Passou ainda pela guerra civil libanesa que transformou seu modo de ver a vida, e que por fim vive os últimos 5 anos em Portugal.

O Festival não se poderia dar por encerrado sem antes falarmos do futuro. Este veio em forma do direito das crianças e como as tradições e culturas afetam a vida particular delas, bem como, o futuro de nossas sociedades; para tal contamos com a participação de Inês Avelãs e Goreti Cardoso, representando a Amnistia Internacional de Coimbra e a AKTO respectivamente. No período da tarde, o Festival SDDH de Direitos Humanos foi finalizado com mais uma surpresa, trazendo uma oportunidade de convivência e troca de experiência entre os/as participantes.

Depois de tantas atividades durante este fim de semana, tantas informações novas e debates interessantíssimos e relevantes recebidos, posso afirmar que a exaustão foi verdadeiramente vencida pelo entusiasmo e pela aprendizagem; preenchendo-nos pela sensação de satisfação pelo conhecimento e também pela consciência e gratificação das minhas oportunidades.  Sem deixar de levantar também uma “pulga atrás da orelha” causada pela inquietação perante os problemas e dilemas abordados, juntamente a uma nova vontade de agir que estes trouxeram.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s