50 Anos de Stonewall, 50 Anos de Orgulho!

Fotografia da Roda de Conversa e Sessão de Esclarecimentos dia 28/06/2019
Jardins da Associação Académica de Coimbra

Estávamos na madrugada de 28 de junho de 1969 quando tudo mudou e a esperança brotou. Naquela madrugada as forças policiais invadiram o Bar Stonewall In, frequentado sobretudo por pessoas LGBT, em Nova Iorque. Relembramos que em 1969 a homossexualidade era considerada crime e, por esse motivo, a polícia costumava escolher locais e bares frequentados por pessoas LGBT onde a rusga costumava ser acompanhada por violência e coerção e passividade por parte das pessoas. Nesse dia, ninguém ficou indiferente, as pessoas ripostaram e perante tal cenário, que durou até dia 2 de julho, a polícia teve de se refugiar. Foi como algumas testemunhas referiram “corpo a corpo”; “pedra a pedra”. Assim, esta revolta, que acolheu o apoio das pessoas, foi um momento de visibilidade para a comunidade LGBT, dando origem ao movimento LGBT. Sendo atualmente, o mês de junho considerado como um mês simbólico e histórico para a comunidade LGBTQIA+. Contudo, importa salientar que antes deste dia já existiam lutas e caminhos de resistência, no entanto a visibilidade era parca.  Celebrar 50 anos de Stonewall é reconhecer e respeitar a história dos direitos LGBT e dos Direitos Humanos. É celebrar a luta contra a opressão de todos os tipos de violência. É celebrar a vida e o orgulho das conquistas diárias.

Atualmente, embora tenham existidos avanços paulatinos em dezenas de países, na maioria dos países de África e Asia ainda é crime ter relacionamento com pessoas do mesmo sexo. Isto torna a continuação da luta e do reconhecimento pelos Direitos Fundamentais fulcral para erradicar as diversas formas de violência e agressão contra as pessoas em razão do género, orientação sexual e/ou identidade de género (e.g mutilação genital de crianças intersexo, terapias de conversão, patologização das pessoas LGBT, entre outros). Salienta-se ainda que, mesmo os países em que os direitos das pessoas LGBT estão garantidos a perpetuação de episódios de discriminação, preconceito e violência estão presentes.

Em Portugal, poderemos considerar que houve bastantes avanços legislativos significativos nos últimos anos que foram favoráveis ao movimento LGBT. A nível social também se visualizam alterações positivas, nomeadamente a multiplicação do número de marchas que representa, sendo amanha dia 29 de junho, a comemoração dos 20 anos da Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa. Embora tenham existidos avanços a igualdade plena ainda está aquém. Vejamos o relatório produzido pela OCDE “Society at a Glance 2019” onde refere que Portugal faz parte da lista dos oito países onde a comunidade LGBT mais sente a discriminação.

Sendo este mês tão importante para a comunidade LGBTQIA+ (sigla completa) a Secção de Defesa dos Direitos Humanos, O Coletivo Marginal UC e a PATH não puderam ficar indiferentes e durante todo o mês realizaram diversas atividades direcionadas para esta temática. Durante a tarde de hoje promovemos uma roda de conversa para abordar os preconceitos dentro da comunidade LGBT, uma vez que consideramos um assunto pouco visível, e uma sessão de esclarecimento de dúvidas sobre questões LGBTQIA+ como forma de continuar o caminho iniciado em 1969!.

Autora: Cátia Fernandes

Publicado por SDDH/AAC

A SDDH/AAC é uma das dezasseis secções culturais da Associação Académica de Coimbra. Fundada em 1997 encontrou-se, desde logo, na causa da sensibilização e promoção dos direitos humanos junto da comunidade académica, mas não só. Desde o início, o seu objetivo principal foi o da denúncia das diversas violações de Direitos Humanos, através da informação, formação e educação de todas as temáticas relacionadas com estes, tendo como público-alvo o estudante universitário de Coimbra. Neste sentido, a SDDH/AAC realiza projetos “para os estudantes e pelos estudantes” tentando chegar cada vez mais perto dos seus pares, incentivando um espírito crítico, atento e ativo perante as problemáticas que ocupam a atualidade no âmbito dos direitos humanos. Desenvolvem-se projetos com formatos diversificados, procurando corresponder às várias recetividades encontradas no meio académico. Ao mesmo tempo, a SDDH/AAC procura desenvolver parcerias com instituições e entidades da cidade de Coimbra com missão semelhante de forma a contribuir para a sensibilização, educação e formação a nível local e nacional. A Secção tem uma presença ativa nas redes sociais, característica que se advinha essencial na pretensão de chegar aos estudantes e de promover o ativismo junto da juventude. A equipa é constituída por estudantes das mais variadas áreas, desde as ciências sociais às ciências da saúde, passando pelas ciências exatas. O trabalho é desenvolvido em equipa no sentido de promover o desenvolvimento de soft skills e o profissionalismo. Todos os sócios contribuem de forma voluntária nos projetos do seu interesse, permitindo que todos possam propor, coordenar e participar em causas que lhes sejam próximas.

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