Mobilização de uma Juventude não adormecida

planet BÉ comum encontrarmos pessoas que não estão dando a mínima importância para as temáticas ambientais, pois, com tantas discussões e propostas, o que foi feito? Até onde vai o alcance de tantos grupos, coletivos e instituições que se preocupam com o meio ambiente? Precisaremos de quanto tempo para que todas estas informações se transformem em planejamentos e ações concretas? É, portanto, necessário compreender que todos os avanços sejam eles sociais, políticos e econômicos, foram derivados de um processo. Num mundo de tantas emergências, narrativas e contra narrativas, é necessário ter cautela e serenidade. Observar que durante as transições sejam elas paradigmáticas ou sistêmicas de um mundo que se tornou globalizado, os processos eram e são comandados por pessoas. Durante séculos as intencionalidades, desejos e ambições dirigiram as políticas, planos e metas das instituições sejam elas públicas ou privadas, maioritariamente voltadas para uma classe social seleta, onde pudesse legitimar seus status quo no cotidiano da sociedade. Mas toda corrente envolve uma contracorrente. Essa dialética, é necessária para emergir alternativas e soluções além da visão que está hierarquicamente posta. A contradição é suficiente capaz de desestabilizar aquilo que aparentemente está equilibrado. A juventude, considerando uma fase da vida de grandes aprendizados e experiências, possui essa função. Somos a contracorrente. Em um mundo onde se estimula o consumismo, nós reforçamos a implantação dos limites e a destinação eficaz de resíduos sólidos e orgânicos. Em uma sociedade que possui a preferência do desmatamento em nome do desenvolvimento, nós afirmamos a importância das florestas para a continuidade de todo um ecossistema ao qual fazemos parte. Em um país que não dá o devido interesse às políticas de resolução das mudanças climáticas, nós identificamos e exigimos a implantação de medidas capazes de alterar este quadro climático atual, em prol da manutenção do futuro do planeta. Enquanto os governantes se reúnem uma vez por ano em suas sessões especiais e planejam a Semana do Meio Ambiente em suas devidas localidades ao qual se tornaram representantes, nós nos reunimos toda semana em nossas secções, centros acadêmicos, diretórios acadêmicos, núcleos estudantis, conversas informais na praça, nas redes sociais e em todos os lugares possíveis para discutirmos o panorama geral das políticas de reciclagem, medidas de reflorestamento, acompanhamento das notícias de direitos socioambientais, planejamento de mobilizações e ações de conscientização, promoção de educação ambiental nas escolas, divulgação de mobilizações nas ruas, participação de palestras, seminários e workshops e entre outras demasiadas atividades que garantem e legitima a nossa posição perante estas situações. O dia Mundial do Meio Ambiente não pode e não deve ser lembrado somente no dia 5 de junho do calendário gregoriano. Não pode e não deve abordar informações superficiais sobre o contexto de conflitos ambientais em que se encontra nosso mundo pós-moderno. Não pode e não deve somente ser plantio de árvores de mudas que nem se sabem a espécie e de que bioma florestal pertencem. Não pode e nem deve ser frases, memes e símbolos nas redes sociais que ilustrem o quão lindo é este dia, mas, que revelam o quão distante estou desse assunto no cotidiano. Também não pode e nem deve ser fruto de uma visão apocalíptica onde o que predomina é destruição sem nenhuma solução. Precisa ser um reforço daquilo que já foi feito, está sendo feito e que dará continuidade. Precisa incentivar e compartilhar a energia depositada em cada manifestação, atividade, mobilização e ação realizada pelos estudantes, ONGs, profissionais e técnicos, instituições, povos e comunidades tradicionais que diariamente lutam por aquilo que acreditam. Precisamos que isso seja extraordinariamente contagiante. Fomos refletidos e somos reflexos daquilo que será a permanência e garantia de vida de toda biosfera. Somos e seremos uma juventude que está vigilante em uma sociedade que está adormecendo.  

Autor: Rodrigo Santos
Estudante de Geografia em mobilidade na Universidade de Coimbra.
Multiplicador do Projeto Banana Terra – Greenpeace Brasil e Amnistia Internacional Brasil

 

Publicado por SDDH/AAC

A SDDH/AAC é uma das dezasseis secções culturais da Associação Académica de Coimbra. Fundada em 1997 encontrou-se, desde logo, na causa da sensibilização e promoção dos direitos humanos junto da comunidade académica, mas não só. Desde o início, o seu objetivo principal foi o da denúncia das diversas violações de Direitos Humanos, através da informação, formação e educação de todas as temáticas relacionadas com estes, tendo como público-alvo o estudante universitário de Coimbra. Neste sentido, a SDDH/AAC realiza projetos “para os estudantes e pelos estudantes” tentando chegar cada vez mais perto dos seus pares, incentivando um espírito crítico, atento e ativo perante as problemáticas que ocupam a atualidade no âmbito dos direitos humanos. Desenvolvem-se projetos com formatos diversificados, procurando corresponder às várias recetividades encontradas no meio académico. Ao mesmo tempo, a SDDH/AAC procura desenvolver parcerias com instituições e entidades da cidade de Coimbra com missão semelhante de forma a contribuir para a sensibilização, educação e formação a nível local e nacional. A Secção tem uma presença ativa nas redes sociais, característica que se advinha essencial na pretensão de chegar aos estudantes e de promover o ativismo junto da juventude. A equipa é constituída por estudantes das mais variadas áreas, desde as ciências sociais às ciências da saúde, passando pelas ciências exatas. O trabalho é desenvolvido em equipa no sentido de promover o desenvolvimento de soft skills e o profissionalismo. Todos os sócios contribuem de forma voluntária nos projetos do seu interesse, permitindo que todos possam propor, coordenar e participar em causas que lhes sejam próximas.

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