Adoro flores, prefiro respeito

Como mulher, na véspera do 8 de março, acho que é seguro que me espera um número infindável de mensagens de Feliz Dia da Mulher e um número ainda maior de piadas sobre a inexistência do “dia do homem”, o que me fez pensar no significado real deste dia, que, por sua vez, me levou a uma pequena pesquisa no fantástico google. Não me demorou muito tempo a perceber que, na verdade, a origem deste dia está muito longe das rosas, cartões, almoços e massagens grátis.

Simplificando, tudo começou no fim do século XIX, início do século XX, no contexto das lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, e pelo direito de voto.  Organizaram-se manifestações e marchas nos EUA e na Europa que juntaram operárias em greve, protestando as condições de trabalho precárias e salários baixos, e sufragistas que lutavam por igualdade de direitos políticos. Neste clima, nasceu a ideia de criar um dia da mulher dedicado às lutas femininas. Embora este tenha sido comemorado durante as décadas de 1910 e 1920, rapidamente caiu em esquecimento, só sendo recuperado pelo movimento feminista na década de 60. Já na década de 70, a ONU adotou o dia 8 de março como Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Nos dias de hoje, este dia adquire um carácter mais festivo e comercial. Contudo, um século passou e as mulheres continuam em desigualdade. Continuam a trabalhar em média mais horas por dia, a receber menos que os indivíduos do sexo masculino e a ter pouca representação nos cargos de topo. Continuam a ser alvo de machismo, de violência sexual, física e emocional. Continuam a sofrer assédio diariamente, a ver as suas queixas menosprezadas, a ser culpabilizadas pelos abusos que sofreram e a morrer às mãos dos homens que lhes são mais próximos. Tudo isto porque são mulheres.

É por isto que precisamos que haja dia da mulher, para consciencializar que ser mulher continua a ser um risco e que condiciona o nosso dia a dia de maneiras que o outro género não consegue sequer imaginar. Penso que está mais que na altura de voltar às origens deste dia e lutar por um mundo mais justo, em que ser mulher não signifique ser vítima uma vida toda.

Neste dia da mulher, não dê flores, traga as mulheres importantes na sua vida e junte-se às inúmeras campanhas, eventos e manifestações pela igualdade de género marcadas por todo o país. Ajude a dar voz ao movimento e a criar um futuro melhor para elas. A igualdade de género é uma luta de todos nós.

Mulher, Feminista

 

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